Novas directrizes da ACOG

Novas directrizes da ACOG para o nascimento visam dar às mulheres mais controle durante o trabalho de parto e nascimento

A cultura do parto nos países ocidentais tem sido dividida em dois campos. De um lado, há os defensores do parto natural, muitos dos quais acreditam que a medicalização do trabalho de parto e nascimento devem ser evitados sempre que possível. Do outro lado, os médicos e os hospitais, que tendem a dar prioridade a procedimentos médicos em relação a outras opções, muitas vezes em detrimento da experiência geral da mulher.

Uma nova recomendação do Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas ACOG (American Congress of Obstetricians and Gynecologists) visa preencher o espaço ente estes dois campos, pedindo que os prestadores de cuidados de maternidade considerem uma ampla gama de abordagens com gravidezes de baixo risco e trabalhem mais de perto com os seus pacientes para alcançar o melhor resultado para todos.

O parecer do Comité , que também foi endossado pelo American College of Nurse-Midwives e pela Association of Women’s Health, Obstetric and Neonatal Nurses, encoraja os profissionais de saúde a:

  • Considerarem permitir que as mulheres com gravidezes de baixo risco permaneçam em casa em trabalho de parto por mais tempo

  • Evitem romper membranas se o trabalho de parto está a progredir normalmente

  • Evitar a indução durante um curto período de tempo se a mulher tiver ruptura prematura de membranas

  • Evitar a monitorização constante da frequência cardíaca fetal quando apropriado (o que permitira que as mulheres em trabalho de parto permaneçam moveis)

  • Permitir que as mulheres troquem de posição e tomem a posição mais confortável para elas durante o trabalho de parto activo e fase expulsiva

  • Oferecer técnicas de alívio da dor não-farmacológicas, incluindo massagem, imersão em água durante a primeira etapa do trabalho de parto e técnicas de relaxamento

  • Certificar que as mulheres recebem suporte emocional, bem como apoio médico, o que demonstrou levar a melhores resultados.

ACOG define gravidez de baixo risco como "um cenário clínico para o qual não há benefício demonstrável para uma intervenção médica".

Impulsionar uma cultura de parto que apoie uma maior variedade de escolhas de nascimento para as mulheres dentro do sistema médico é absolutamente imperativo e algo há muito que tem sido atrasado.

No entanto, há um aspecto desta recomendação que dá que pensar: a ACOG formulou esta opinião como " Abordagens para limitar a intervenção durante o trabalho de parto e o nascimento ", ao contrário de, digamos, "Abordagens para melhor acomodar as mulheres durante o trabalho de parto".

Nem todas as intervenções são iguais e há vários tipos de intervenção. Algumas têm sem dúvida muitos benefícios e deverão sempre estar disponíveis e não limitadas.

Por exemplo, indução por descolamento de membranas – que muitas vezes nem é considerada indução, mas sim uma intervenção para evitar a “indução formal” mas que só por si é um tipo de indução – é uma intervenção de baixo risco de deverá ser oferecida como forma de limitar as tais outras “intervenções”, como inducao com oxitocina sintética que geralmente provoca trabalhos de partos mais intensos e irregulares e mais difíceis de suportar.

Controlo de dor por epidural é outro exemplo de uma intervenção que deve estar disponível caso a mãe deseje este método de gestão de dor. e que como qualquer outra intervenção tem os seus riscos, mas também é uma das intervenções que serve muitas vezes para limitar outras. Uma mãe em stress poderá ter um trabalho de parto doloroso que levará a mais stress e a um progresso mais lento. Por vezes a gestão da dor ajuda a mãe a relaxar a ao trabalho de parto a progredir sem que tenha de haver outro tipo de intervenções, como nascimento instrumental ou cirurgias de emergência dado ao nível de stress da mãe e bebé.

Todas as intervenções tem os seus riscos e benefícios e há que ponderar bem o caminho a tomar quando se interfere com um processo fisiológico. Uma vez alterado não há volta a dar…e a famosa cascata de intervenções pode começar a desenrolar-se.

Ver mais em Mudar a linguagem do parto

O factor Linguagem continua a ser um problema ao qual instituições de saúde e profissionais de saúde materna fecham os olhos. Ao aplicar a linguagem paternalista e de superioridade, de medico para paciente, de alguém que tem todo o poder com alguém que não tem (pode) ter controlo, faz com que o rumo que um parto pode tomar seja afastado das mãos das famílias.

Quando as famílias têm o controlo de quando, como, com quem e onde vão ter os seus bebes tudo muda.

Uma gravidez não é uma doença, é um estado de saúde!

Uma mãe não é uma paciente, é uma utente, e como tal devera comportar-se como uma consumidora que escolhe todos os pormenores da sua “aquisição”: o serviço de assistência a sua gravidez e nascimento.

Estas ultimas directrizes da ACOG são algo, que para muitos de nós, activistas do parto natural e do empoderamento das famílias, que não traz nada de novo mas é sempre de louvar quando uma instituição tão respeitada da estas recomendações.

O respeito ao consentimento informado e a vivência respeitada do evento fisiológico que um nascimento é, deveria ser algo que nunca deveria ser posto em causa.

Ver mais em Consentimento Informado: quando os médicos não ouvem

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