Confissões de uma hypnomum  - o poder das afirmações e da auto hipnose


O meu nome e Carin e fui mãe com hypnobirthing, hypnomum, por duas vezes.

Estou à espera do meu terceiro bebé, hypnobub, e as 34 semanas chegaram sem avisar e de uma maneira muito diferente das outras gestações.

Sou também formadora de hypnobirthing e não estava à espera do que senti nesta ultima semana.

No decorrer do ano passado aventurei-me a levar o mundo do hypnobirthing as mães que falam português com o projecto Hypnobirthing Portugal, divulgando os cursos online, escrevendo no hypnobolog, por vezes compulsivamente, tentado fazer chegar informação ao máximo de mães possíveis com as ferramentas que a internet e a social media nos fornece nos dias de hoje.

Tenho traduzido artigos, feito pesquisas, assistido a webinars, participando em hubs/grupos de partilha de conhecimento sobre o nascimento e a maternidade espalhados pelo mundo, lido as ultimas recomendações, regras e estatísticas, para tentar escrever e informar sobre o nascimento seguro, positivo e consciente sempre com as melhores bases cientificas e comprovadas.

Tive o privilégio de conhecer pessoas fantásticas nos knowledge hubs e ter podido partilhar experiências e parcerias. É incrível o poder de ligação e de presença que a internet nos dá, e como se torna fácil entrar no mundo destas pessoas que estão literalmente do outro lado do mundo.

Pude aprender como se nasce e como a saúde materna e vista e gerida em países menos afortunados que o meu (Austrália). Não estou a falar de países em desenvolvimento – actualmente tenho uma amiga a residir no Kenya que está a ter um excelente acompanhamento, tanto humano como médico - mas sim de países desenvolvidos, com acesso ao top da tecnologia mas que negligenciam a saúde materna como nunca imaginei.

Aprendi termos novos como “Violência Obstétrica” e “Parto Humanizado”, que até à data eram-me completamente desconhecidos e que são usados (e bem usados) com uma banalidade e frequência que assusta.

Senti-me muito inocente, muito ignorante ao ouvir, ler e assistir a vídeos e documentários sobre o nascimento vindos de Portugal, Brasil, EUA, etc… O mundo da maternidade que eu conhecia não tinha nada a ver com esta realidade que me estava a chegar pelo computador.

Senti-me muito afortunada por viver num país onde o nascimento e o consentimento informado são respeitados e as minhas experiências não podiam ter sido mais diferentes das que me iam chegando. Tive uma preparação fantástica com hypnobirhting com o meu primeiro bebé e que se repetiu 18 meses depois com o meu segundo, e que me levaram nesta aventura de fazer formação, aprender mais e mais e levar o hypnobirthing até as mães que falam português.

Sempre achei que tinha um bocadinho de Super woman, “não há nada que eu não possa fazer” era o meu nome do meio. Nasci e cresci em Portugal, primeira filha de pais muito hippies, tive uma educação muito pouco tradicional e talvez por causa disso tenha saído de Portugal para explorar a Europa mal pude. Vivi e estudei na Finlândia, mudei-me para o Reino Unido e encontrei o caminho de casa ao vir para a Austrália. Comecei a minha família em 2012 longe de tudo e de todos. A minha família continuava em Portugal e a família do meu marido vive noutro Estado Australiano (Austrália é muito grande) e não podia ter corrido melhor.

O moto “Não há nada que não consiga fazer” confirmava-se vezes sem conta e sempre tive bastante sucesso em não deixar que pequenas coisas e pessoas me afectassem….”shake it off”…

Dito isto, não estava nada a espera que estas barreiras fenomenais que tem funcionado tão bem a travarem todo o “ruido” indesejado ao longo destes últimos 10 anos se desmoronassem completamente com a proximidade da chegada do meu terceiro bebé.

Todo o “ruido”, as historias, a informação, as imagens, as pessoas que conheci este ultimo ano, vivendo em países tão longe do meu, com backgrounds tão opostos e com vivências tão diferentes das minhas, começaram a fazer-me duvidar de uma das minhas principais motivações “ não há nada que não consiga fazer”.

Comecei a ter dúvidas sobre a minha capacidade de fazer nascer este bebé, comecei a ficar assustada com a ideia e senti-me completamente perdida.

Como é que isto aconteceu?

“Já passei por esta experiência antes, lindamente, e por duas vezes! E falo sobre o nascimento todo o santo dia!”

Alguma coisa fez com que começasse a duvidar e o medo tomou conta de mim.

Mesmo tendo todo o material da Hypnobirthing Austrália - Hypnobubs espalhado pela minha secretária, no meu laptop e no meu telefone, eu não estava a usa-lo para mim. É muito diferente dar e receber.

No meio de todo este corrupio de aulas, sessões online, mensagens,emails, os meus filhos que ainda são bem pequenos, esqueci-me da coisa mais importante que faz com que a jornada da gravidez e nascimento seja tranquila e positiva…confiar em mim.

A gravidez é talvez a altura mais vulnerável da vida de uma mulher, e mesmo que seja a primeira, a segunda ou a quinta, vai ser diferente. Vai sentir tudo de maneira diferente porque estará em diferentes etapas da sua vida e a sua mente acompanha essa evolução.

Na primeira gravidez tinha todo o tempo do mundo, trabalho, casa, ginásio, férias…na segunda tinha o meu bebezão mas continuava a ter muito tempo para mim. Desta vez dei por mim a não ter tempo para mim, para focar em mim e neste bebé, porque os meus filhos não param e porque a vida mudou e evolui, e como felizmente as minhas gravidezes tem sido muito saudáveis, quase que ainda não me senti grávida até agora - o barrigão já não deixa ver os pés - ainda não parei para pensar em “nós”.

Mas na semana passada algo mudou.

Comecei a ficar assustada com a ideia do próximo nascimento.

Estava preocupada com a distância da maternidade – porque mudámos de casa desde o ultimo nascimento, já não estamos a 2 minutos, estamos a 20minutos sem transito – e comecei a ter receio de não chegar la a tempo.

Estava preocupada sobre onde e com quem deixar os meus filhos caso este bebé resolvesse nascer antes que a minha mãe chegasse – nunca chegou a tempo com os outros dois, perdeu o Liam por uma semana e o henry por dois dias…

Estava preocupada sobre ficar na maternidade alguns dias e como os meus filhos iram reagir, principalmente o mais pequeno, e como iriam deixar toda a gente doida aqui em casa sem mim.

Estava preocupada com possíveis mudanças de circunstâncias durante o nascimento e possíveis intervenções.

Estava completamente aterrorizada com a ideia de uma possível cirurgia caso uma emergência ocorresse, eu que nem nunca levei um ponto na vida…

Todas estas coisas que NUNCA me passaram pela mente nas gravidezes anteriores estavam-me a assustar agora.

Estava na hora de tratar de mim. Estava na hora de me preparar tal como tenho preparado tantas mães.

Pus os miúdos na cama e fui parar o meu quarto e comecei a ouvir “Prompts for birthing”, uma faixa que já ouvi centenas de vezes, durante as gravidezes anteriores, durante formação, durante sessões com outras mães e até online, mas acho que foi a primeira vez que a “ouvi” para mim e para o meu bebe3.

Uma vez não chegou, ouvi de novo e de novo em repeat, com lágrimas bem confusas a caírem a maior parte do tempo.

Adormeci a ouvir Surge of the Sea, old time favourite, e de manhã tudo já fazia um pouco mais de sentido. Foi como se tivesse carregado num botão que tinha sido desligado. ON/OFF e já estava ON de novo.

Durante a minha primeira gravidez preparei-me tão bem, fiz tudo direitinho, ouvi as afirmações todos os dias, as faixas todas varias vezes, fiz os fear releases mesmo não tendo quaisquer medos em mim e até convenci o meu marido a ler-me os guiões– o que não funcionou porque só em dava vontade de rir - li os livros e treinei a minha mente exaustivamente (ao ponto de não ter dado conta que estava em trabalho de parto e o meu primeiro bebé ter nascido poucas horas depois de ter ido a maternidade para um check up porque estava cansada). Com a segunda gravidez já não precisei de tanto treino e o resultado foi o mesmo - não aprendi nada de um nascimento para o outro com o meu bebe a nascer 45minutos depois de ter ido fazer outro check up….

Desta vez, depois de algumas noites a ouvir as faixas áudio e a rever os vídeos do curso hynobubs foi como com que um ligar o modo “hypnomum” e já estava lá de novo, naquele espaço seguro e cheia de confiança. Ainda me falta alguma coisa, não esta tudo “resolvido” mas tive de fazer um reset de tudo e focar só em mim e neste bebé – o mais que pude –, bloquear tudo o que estava a vir de fora e ganhar de novo a confiança do trabalho maravilhoso que o meu corpo esta a fazer de novo, a criar um novo ser do nada. Está a faze-lo de novo e de novo vai de certeza dar-lhe o melhor nascimento possível, dê as voltas que o nascimento der.

Todo o trabalho árduo dos últimos cinco anos deu os seus frutos e pude comprovar em mim o que falamos tanto nas nossas sessões de hypnobirthing.

O condicionamento da mente e importantíssimo e a repetição traz a perfeição.

Esta confissão surgiu de uma vontade enorme de desabafar sobre este percalço que me tomou sem aviso e para vos dizer que mesmo tendo todas as razões para ser a mãe mais bem preparada do mundo – dois nascimentos lindos, preparação hypnobirthing par ambos os nascimentos, formadora hypnobirthing ajudando mães por todo o mundo e activista incansável do parto natural e do nascimento positivo -, o ruido também chegou até mim. Mas estou já passou!

Estou pronta!

Podem ler mais sobre mim e sobre Hypnobirthing em

Como o Hypnobirthing entrou na minha vida e como tudo mudou !

Afirmações

Hypnobirthing nas Etapas do Trabalho de parto

Vamos falar sobre hypnobirthing

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